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Desconfia que um trabalho foi escrito com IA? Como falar com o aluno

Publicado a 23 de outubro de 2026

Se suspeita que um trabalho foi escrito com IA, comece por uma conversa e não por uma acusação: peça ao aluno que explique o texto, as escolhas que fez e como o escreveu. Uma ferramenta de deteção dá, no máximo, uma estimativa; quem decide é o professor, com base no que o aluno consegue mostrar e explicar.

Porque é que este tema é tão delicado?

Porque está em jogo a confiança. Um aluno que escreveu o texto sozinho e é acusado injustamente dificilmente volta a confiar no professor. E um aluno que usou IA sem perceber que não podia também merece uma explicação antes de uma sanção.

Acresce que as regras mudaram depressa. Em muitas turmas nunca se combinou o que é aceitável: pedir ideias a um assistente? Corrigir a ortografia? Reescrever um parágrafo inteiro? Sem essa conversa prévia, é difícil exigir que os alunos adivinhem os limites.

Que sinais justificam uma conversa?

Nenhum sinal isolado é prova, mas alguns merecem atenção:

  • Uma mudança brusca de estilo em relação aos trabalhos anteriores ou à escrita feita em aula.
  • Vocabulário e construções que o aluno não usa quando fala ou escreve à mão.
  • Texto muito fluente mas genérico, que contorna a pergunta concreta da tarefa.
  • Referências a fontes que não existem ou que não dizem o que o texto afirma.
  • Ausência total das marcas habituais do aluno, incluindo os erros recorrentes.

O mais fiável continua a ser o seu conhecimento da turma. Ter uma amostra de escrita feita em aula, no início do período, ajuda muito a comparar.

Como conduzir a conversa com o aluno?

Escolha um momento a sós, sem pressa, e trate-a como uma conversa sobre o trabalho, não como um interrogatório.

  1. Comece pelo conteúdo: "Explica-me a ideia principal do segundo parágrafo."
  2. Pergunte pelo processo: "Como fizeste o plano? Que fontes consultaste? Tens um rascunho?"
  3. Peça uma pequena demonstração: reescrever uma frase por outras palavras ou desenvolver um argumento oralmente.
  4. Ouça antes de concluir. Há alunos que usaram IA para corrigir a gramática e não sabiam que isso contava.
  5. Termine com um acordo claro sobre o que acontece a seguir: refazer o trabalho, entregar o rascunho ou combinar regras para a próxima tarefa.

Se o aluno explicar o texto com segurança, é razoável aceitar que é dele. Se não conseguir, a conversa já mostrou o que precisava de mostrar, sem depender de nenhuma percentagem.

Como prevenir em vez de remediar?

As medidas mais eficazes não são tecnológicas:

  • Regras escritas no enunciado. Diga o que é permitido (por exemplo, verificar a ortografia) e o que não é (gerar parágrafos).
  • Avaliar o processo. Peça o plano, um rascunho e a versão final. Um texto que aparece pronto, sem etapas, chama a atenção.
  • Tarefas ligadas à aula. Peça que o aluno relacione o tema com algo discutido na turma ou com uma experiência sua.
  • Rubricas com critérios de raciocínio. Se a rubrica valoriza a argumentação própria e o uso de exemplos concretos, um texto genérico perde pontos de forma natural.

O que faz o Korektor neste ponto?

O Korektor é uma aplicação web que corrige trabalhos escritos com IA segundo a rubrica do professor. Entre outras coisas, pode dar uma estimativa de texto escrito por IA. Por omissão, essa estimativa só é visível para o professor, precisamente para servir de ponto de partida para uma conversa e não de veredicto automático.

Como usar o Korektor passo a passo?

  1. Crie a tarefa a partir de um modelo (relatório de ciências, composição, texto argumentativo) ou de raiz: título, enunciado, intervalo de palavras, prazo e critérios com pontuação.
  2. Escolha o rigor (tolerante, equilibrado ou exigente) e o tom do feedback (encorajador, neutro ou direto).
  3. Indique o que a IA verifica: comentários ao texto, ortografia e pontuação, vocabulário da disciplina, fontes, imagens e desenhos, e a estimativa de texto escrito por IA.
  4. Decida o que o aluno vê: a nota ou não, a estimativa de IA ou não.
  5. Partilhe o link. O aluno não precisa de conta: escreve o nome e envia Word, PDF, PowerPoint, ODT, texto simples, até 8 fotografias de um trabalho manuscrito, ou cola o texto.
  6. Em cerca de 20 a 60 segundos recebe a correção: nota, resumo, pontuação e comentário por critério, texto anotado com notas numeradas a vermelho, pontos fortes, aspetos a melhorar e uma observação sobre as fontes.
  7. Em "trabalhos recebidos", reveja cada caso, descarregue o ficheiro original e altere a nota quando entender. A última palavra é sua.

E a nota de 0 a 20?

No ensino secundário português usa-se a escala de 0 a 20 valores. O Korektor soma os pontos da sua rubrica e converte-os de forma aproximadamente proporcional para essa escala: uma rubrica com 40 pontos em que o aluno obtém 30 dá cerca de 15 valores. Pode ajustar a nota final ou optar por uma percentagem.

As primeiras 3 correções são gratuitas sem conta e uma conta gratuita acrescenta mais 3. Depois há pacotes de 30 correções por 5 €, 100 por 14 € e 300 por 36 €, que não expiram. Os dados ficam guardados na Cloudflare, na União Europeia, sem publicidade nem venda de dados. Se quiser ver como funciona com uma tarefa sua, pode experimentar o Korektor com a próxima entrega da turma.

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Perguntas frequentes

Uma estimativa de texto escrito por IA prova que o aluno fez batota?

Não. É um indício que justifica uma conversa, nunca uma conclusão. A decisão é sempre do professor, com base no que o aluno mostra e explica.

O aluno vê a estimativa de IA no Korektor?

Por omissão, não: só o professor a vê. Pode escolher mostrá-la ao aluno nas definições da tarefa.

Como é que o Korektor converte a rubrica numa nota de 0 a 20 valores?

Soma os pontos de cada critério e converte-os de forma aproximadamente proporcional para a escala de 0 a 20. O professor pode ajustar a nota final.

Como posso reduzir o uso indevido de IA nos trabalhos de casa?

Combine regras claras sobre o que é permitido, peça etapas intermédias como planos e rascunhos, e inclua momentos de escrita em aula que sirvam de referência.